segunda-feira, 22 de novembro de 2010

COTIDIANESCO III



"É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas idéias".
Immanuel Kant - Filósofo alemão


ABRINDO A PORTA

Radicalíssimo o pensamento de Kant, que ilustra a abertura deste relatório? Confesso nunca ter percebido dessa maneira; mas, vejo que até hoje alguns profissionais pensam e fazem dessa forma. Não obstante vejo que há de se fazer um trabalho didático-pedagógico consistente a fim de que a denúncia feita pelo filósofo ainda no século XIX (morreu em 1804, aos 80 anos), não atravesse o século XXI e olhe que já avançamos uma década desse período. Continua preocupante.

o mês de setembro foi marcado pela formação do 2º Conselho de Classe, que aconteceu nos dias 13 e 14. A OE criou uma expectativa muito grande em relação aos alunos que foram encaminhados pelo CoC anterior. Naquele momento, fizemos como mandam as normas profissionais: convocamos um a um (às vezes o fazíamos por duplas ou trios, dependendo dos momento e necessidade) e os orientamos a fim de que pudessem tentar melhorar e, dessa forma, afugentassem o fantasma de uma provável retenção na mesma série.
Além dessa preocupação, neste mês desenvolvemos as ações de rotina, tais como atendimentos a alunos por problemas diversos, convite a pais e responsáveis, quando necessário, e atendimento aos que nos procuraram por livre e espontânea vontade.
No que se refere aos atendimentos dos alunos encaminhados por professores, sentíamos em muitos momentos, que estávamos nos enquadrando numa das situações que mais aguça a nossa crítica e que provocou, há uns três anos, uma insatisfação sem tamanho, quando fomos caracterizados como tal num dado relatório, nos levando à construção de um texto, que é ser chamado de “APAGADOR DE INCÊNDIO”. Neste sentido, tal caracterização nos permite avaliar, que, antes de uma minimização ou ridicularização da ação do Orientador Educacional, demonstra, na maioria das vezes, certa, digamos, incompetência ou inabilidade do professor em gerir a sua sala de aula. Orientações ao docente neste momento? Muitas... incontáveis... várias... Diálogo com a Supervisora? Poucos... contando nos dedos das mãos, ainda sobram muitos dedos... na verdade, quase nenhum... É necessário que o OE fique sempre alertando um profissional que deveria aguçar sua percepção? Dizê-lo como trabalhar? Ação Integrada? Aqui também se aplica o “quando um não quer, dois não brigam!”

DEIXANDO A PORTA ENTREABERTA
Do quantitativo de alunos de cada turma que ficou com notas abaixo da média, após as orientações pós-CoC, obtivemos a marca de reversão do quadro de, aproximadamente, 70 a 75%, em cada turma. Alguns se recuperaram nas disciplinas do trimestre anterior, mas “derraparam” em outra(s). Outros tiveram recuperação geral. Esta reflexão foi o tema principal da reunião com pais e responsáveis.
Apesar de todos os pesares inerentes ao cotidiano escolar (coisas vistas como normais), conseguimos trabalhar de maneira tranqüila nessa escola de Ensino Fundamental. Temos um bom trânsito entre os docentes, o que facilita sobremaneira o trabalho da Orientação Educacional. A direção da unidade escolar nos garante a autonomia profissional. Apesar de não ser partidário de reuniões em profusão (o número certo em momentos exatos, é o suficiente!), sinto falta das mesmas congregando os especialistas de educação, os técnicos da U.E.. Até o presente momento, e já estamos encerrando o ano letivo, ainda não tivemos um encontro promovido pela direção. Talvez isso seja a justificativa dos desencontros entre esses profissionais. OE, SE e IE dificilmente se articulam na escola: o primeiro na sala dos professores ou, agora e somente agora, em sua sala de atendimentos (mas ainda dividindo espaço com a MT do turno, pois ali era o Laboratório de Informática. Apesar da montagem de um outro lugar e dos computadores já instalados, o responsável por esse setor na SEME não instalou a internet nos PCs) atendendo alunos e pais ou responsáveis, quando conseguem passar pela direção, do contrário ali são atendidos e não conseguem chegar até o profissional responsável por tais atendimentos; a segunda, na sala da direção desenvolvendo as suas anotações em seu notebook; e a outra profissional , envolvida em suas investigações documentais na secretaria da escola.
Esse texto, certo modo, não comunga muito a favor de uma gestão que não conseguiu perceber (não nos interessamos em tentar desvendar as razões de tais atitudes) os desencontros entre os seus técnicos e nada fez para tentar promover, que seja, uma reflexão sobre os motivos dos mesmos acontecerem.

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