quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Paul McCartney, o senhor do tempo



Muitas crianças de 10 anos já cantarolam Live Or Let it Die. Numa boa, na maior intimidade. A garotada de 20 descobriu I Got a Feeling. E quem tem mais de 30...Bem, quem tem mais de 30 pode-se dizer íntimo de Paul McCartney, o maior astro pop vivo, que desde o início dos anos 60, à bordo dos Beatles, bota o mundo de cabeça para baixo.
Escrevo não só na condição de jornalista/fã, mas, sobretudo, de profundo admirador do gigaprofissional que acabou de tocar para quase 200 mil brasileiros neste novembro de 2010 que começa a anunciar sua partida (um show no estádio Beira Rio, em Porto alegre e dois no Morumbi, em São Paulo). Sim, o grande Macca, do alto de seus 68 anos, é um profissional no conceito mais radical da palavra.
Chegou aqui sem exigir milhares de toalhinhas brancas, champanhe da Polinésia, caviar da Sibéria, como estamos acostumados a ouvir das chamadas “estrelas pops”, que perto de Paul não passam de pífios planetas. Ele pediu um piano profissional na suíte do hotel, luz indireta no camarim, e...não lembro de nada mais relevante.
Chamo Sir Paul McCartney de “Senhor do Tempo” aqui no Direto da Redação porque ele tem o impressionante poder de mexer em nossos relógios existenciais. Seus shows foram cantados por todos, de todas as idades. De ponta a ponta. Por que? Porque além do carisma, da simpatia e (repito), do profissionalismo, MacCartney respeitou os arranjos originais. As músicas pareciam MP3 tocando ao vivo.
Conheci os Beatles quando voltei de Angra dos Reis (RJ), onde morei com a família de três a nove anos. Tempos de “Hard Day´s Night”. A onda da beatlemania me pegou no ato. Logo depois veio o filme, “Os Reis do Iê Iê Iê”, que fui assistir zaralhadas de vezes com o bando da minha rua, Álvares de Azevedo, em Icarai, Niterói. Depois, vieram “Beatles 65”, “Help”, e aqueles caras nunca mais saíram de minha vida. Em especial McCartney, que me influenciou o suficiente para que eu aprendesse a tocar contrabaixo. Meus pais me deram um baixo Phelpa com amplificador de Natal e eu saí por aí tocando em varias bandas, entre 12 e 17 anos, sempre tentando copiar as harmonias de Paul.
Tudo isso para dizer que “O Senhor do Tempo” passou pelo Brasil deixando a leve impressão de que o tempo não passa para ele. Paul continua com a mesma energia, o mesmo prazer de tocar e, se não soubéssemos, não diríamos que está com 68 anos. Assisti aos shows pela TV e pelo You Tube. Não deu para vê-lo pessoalmente. Mas da próxima vez (que será em breve) vou me organizar melhor e estarei lá. De preferência na primeira fila.

Sobre o autor deste artigo Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista, produtor musical e escritor. Trabalhou nas rádios Federal, Tupi e Jornal do Brasil. Criou, juntamente com Samuel Wainer Filho, o projeto "Maldita", na Rádio Fluminense FM. Foi colunista ainda dos jornais O Pasquim, Jornal do Brasil, Opinião, Folha de Niterói e O Estado de S. Paulo. Foi diretor de criação da Tech & Midia Comunicação Integrada, cronista dominical de O Fluminense, editor de cultura da revista Caffè Magazine e cronista do jornal International Magazine.

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