quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

De Poitier à tia Cotinha que não "exerceram" a docência neste século


De Poitier à tia Cotinha que não "exerceram" a docência neste século, o "Ao mestre com carinho" fica enquanto referência de um tempo bom que não volta mais. Hoje, diante do massacre sócio-político e econômico que amargamos, um "ao mestre com carinho" é lápide de túmulo de professor.
Ontem, dia 08/12, fui ao meu órgão de saúde (IBASCAF), para justificar junto à perícia os oito dias de licença que me foram concedidos pelo ortopedista. Os médicos deste setor de saúde passaram a exigir que até três dias não haveria necessidade de comparecimento ao órgão, mas que além disso, deveriam os doentes passar por lá para averiguação de tal afastamento em função de tantas espinhelas caídas, quedas de cabelo, cutículas inflamadas após a visita à manicure e dores de cabeça por causa daquela azeitona, que "não caiu bem", ao acompanhar as sete, oito cervejas no dia anterior. O médico, valoroso Irmão Livre e de Bons Costumes, ao ver-me entrar, foi logo explicando que se estendesse o meu benefício, fatalmente ficaria com meu pagamento de janeiro um tanto quanto atrasado. Respondi-lhe, que estava ali porque o sistema assim o exigia e que só queria justificar os oito dias dados pelo ortopedista, até porque tinha que retornar ao serviço, já que, final de ano letivo, eu, enquanto Orientador Educacional, precisava estar nas escolas em que trabalho. Ele olhou para a Psiquiatra que forma a equipe de perícia, sorriu e dirigindo-se a mim, falou:
_ Caríssimo Irmão, o teu setor é o que mais apresenta servidores solicitando afastamento de serviço. Da mais simples "dor de cabeça" a problemas de ordem psiquiátricas.
Deduzimos que a "simples dor de cabeça" é o início da complexa Síndrome de Bournout e que esta, é a desastrosa consequência da falta de tempo para o lazer, a descontração, os momentos para um saudável e necessário "jogar conversa fora" ou de correr o risco de ficar com aquela dorzinha de cabeça por causa da tal azeitona, que acompanha as sete, oito cervejas. Teatro, cinema, shows, uma leitura de um bom livro que não nos deixe lembrar da didática, da pedagogia; enfim, da escola, da sala de aula, tais como A Hospedeira, de Stephenie Meyer, O menino do pijama listrado, de John Boyne ou A menina que roubava livros, de Makus Zusak, talvez O caçador de pipas, de Khaled Hosseini.
E olhem que não fui ao IBASCAF com o intuito de pesquisar. O meu problema foi nada diante dos fatos reais, que levam muitos colegas ao afastamento de trabalho. Foi só uma, digamos, fissura em um osso do ombro esquerdo. Qual o problema se sou destro, não é mesmo?
Cabe uma investigação séria por parte de nosso sindicato ou de quem queira desenvolver uma pesquisa científica, que contribua para uma reflexão a nível local, já que acreditamos existir trabalhos de cunho nacional tratando sobre o tema. Estou pensando nisso para o próximo ano letivo. Se alguém quiser abraçar comigo tal empreitada, estou aberto a negociações para estudo e trabalho.

Técnicas de elaboração de artigo científico

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