sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PASSARAIO, PASSARAIO... QUEM VAI SER O "BOI" DE PIRANHA?

E a história, assim como o questionamento, se repete: quem é o "culpado", ao final de mais um ano letivo, por uma estatística desconfortável, política e tecnicamente desconfortável, de retenção de alunos em nossas escolas?
Recordo-me, com saudade e carinho, do polêmico colega prof. Carlos Alberto Gomes de Carvalho, que, em determinadas situações do nosso cotidiano, "sacava" do seu "coldre" de citações, a que ficou muito conhecida entre nós: a história da boiada que tinha que atravessar um rio cheio de piranhas. O já
calejado boiadeiro de tanto perder bois e vacas fortes, fazia com que alguém levasse um boi magro, esquelético, o mais fraco para atravessar rio abaixo. Enquanto as piranhas se fartavam com o minguadinho, a boiada saudável atravessava o rio tranquilamente.
Todo final de ano letivo é assim: procura-se um boi (ou uma vaca) minguadinho, o mais fraco, para "morrer" pela boiada, que tem que atravessar o rio sem nenhum problema.
Apresento-lhes o problema e depois, então, convoco-lhes para uma reflexão, já que não nos sentimos magros o suficiente para atravessar rio que tem piranhas.Estamos mais para jacaré atravessando esse rio, do que para boi magro! Mas, vamos aos fatos quantitativos primeiro; pois, o que incomoda a política, é a danada da estatística. Incomoda, mas ela gosta!

turma TotAl Aprov % ApCoC % Repro % TotAp
P6 31 24 77,4 01 3,2 06 19,3 25
S6 30 23 76,6 03 10 04 13,3 26
T6 30 16 53,3 06 20 08 26,6 22
Q6 30 20 66,6 01 3,3 09 30 21


*Dos 31 alunos efetivamente matriculados da P6, no cômputo geral 25 foram aprovados, indicando 80,64%.
*26 alunos da S6, com 30 matriculados, lograram aprovação, perfazendo a média de 86,66%.
*A turma T6 teve um índice mais preocupante, pois dos 30 efetivamente matriculados, 22 foram promovidos, apontando para uma média de 73,33%.
* A Q6, na mesma linha da anterior, preocupou-nos ao apresentar, dos 30 regularmente matriculados, um índice de 70% de aprovação.


As preocupações são relevantes e deveriam se transformar em objeto de reflexão, para a busca de respostas e de soluções a nível, evidentemente, interno.
Não temos que pensar em abraçar bandeiras de controle de natalidade ou de tentar incentivar aqueles pseudo-projetos babacas, que tem como pano de fundo conquistar "almas" para o reino dos céus, enquanto na terra reinam os espertalhões... e cada vez mais ricos.

Deveríamos arregimentar nossas forças espirituais e rogar Aquele que Arquitetou este mundo, para espargir sobre nós POLÍTICAS PÚBLICAS, para que os pais de nossos alunos pudessem estar mais próximos, em todos os sentidos, desses meninos, dando-lhes o suporte necessário, para poderem se dar bem nas escolas. Condições de
empregabilidade séria no sentido da não exploração de uma mão de obra que se torna obsoleta a cada dia. Uma renda compatível com as suas, e de sua família, necessidades básicas, que não o leve a ter que se voltar para dupla jornada de trabalho e, em função disso, fique mais ausente do cotidiano familiar, deixando a educação de base à revelia. Sem contar com a, também, ausência da mãe, que se vê obrigada a "ir à luta" para garantir a sobrevivência. Desestrutura total.
Não vamos nos estender aqui no massacre da falta de outras políticas públicas como educação, saúde, habitação, cultura etc, pois todas essas rubricas fazem parte de um todo indissociável.Não vamos, também, nos perder na discussão das gritantes contradições de nossa classe política que, em cinco minutos, vota aumentos exorbitantes para ela, enquanto o povo trabalhador vive à mingua com vergonhoso salário mínimo. Não vamos falar das humilhações porque passam professores, médicos, enfermeiros. Desculpem, mas, enquanto aqueles putos tem um salário base de R$ 26.000,00 (e não estamos falando das falcatruas, das cuecas, dos cuecões, das meias, das
malas, maletas e dos bancos nos paraísos fiscais), continuamos a reprovar, porque tudo nos leva a isso, a matar, a aleijar, a aplicar vaselina na veia de uma criança ao invés de soro. Nada justifica essas atrocidades ao outro; mas, tudo é arquitetado para que tal aconteça. Professor ganha mal, para ter duplas, triplas jornadas e produzir de acordo com o seu cansaço. A produção é uma merda e dessa forma não aguça a volição do aluno em querer aprender.
O papel do professor é tentar levar o aluno a querer aprender, a produzir, a ser protagonista na ação educativa. Como, se nem ele o é? Professor que não se sente protagonista, não pode levar o aluno a querer ser. Pronto, reprovação em massa. Índice de mortalidade alarmante nos problemas de saúde mais simples.
Enquanto a mesa é farta em Brasília, farta é a necessidade do povo no resto do país!
Que boi (ou vaca) magro vai ser eleito para atravessar o rio repleto de piranhas? Estamos com 1,75 m e 89 kg; portanto, bem acima do peso ideal... para atravessar rios!!! Que escolham outro!!!

OBS.: Algumas modificações foram feitas no texto como carinhosas sugestões de leitoras, que nem acreditávamos que se prontificariam a "navegar" pelas tessituras desse desprentensioso blog. Sugestões feitas e acatadas em 16 de março de 2011 !!!

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