Do lado de cá, profissionais da educação tentando sobreviver não somente com o salário miserável, mas, também, com o ambiente escolar cada vez mais insalubre, multifacetadamente prejudicial às saúdes física, psicológica e mental; os que fazem, os elementos que se integram à mão de obra barata e cada vez mais desqualificada por quem deveria fazer o contrário. Do lado de lá, os que acham que pensam a educação, os que mandam, os cabeças pensantes, os que não estão nas escolas e os que dizem que agora, com todo ferramental que está "invadindo" as escolas, com as novas tecnologias, a coisa vai mudar. Agora, ensino e aprendizagem serão duas categorias profundamente complementares e ainda buscam referências para atestar essa premissa que sustentam com todas as convicções da face da terra. A citação abaixo, confirma e, acredita-se, também pode ser uma das preferidas dos que pensam que pensam.
"Destacaremos nesse estudo uma reflexão sobre a importância da tecnologia em sala de aula, bem como o interesse dos professores a se adaptarem à nova realidade educacional para integrar os recursos tecnológicos, como o computador e a internet à escola e à comunidade. A possibilidade de uma integração das tecnologias à educação requer do docente uma nova postura que levará o mesmo a rever sua prática em sala de aula, adequando os vários meios de informação à metodologia utilizada".¹
Hoje, ao participar de uma reunião de Equipe técnico-pedagógica com a Inspetora de Ensino, a Supervisora e este representante da Orientação Educacional, não se pode vivenciar o cotidiano como é praxe. Ao descer com a dirigente de turno, após um contato com uma turma, a Supervisora quase que, literalmente, foi atropelada por uma criança que descia a rampa da escola numa desenfreada correria. A energia elétrica não estava muito a fim de contribuir, tendo quedas constantes. O calor infernal, as salas de aula lotadas, 35,36, 37 e até 40 alunos desafiando a lei da física (tantos corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço) e esses dos 12 aos 15 anos, primeiro explodindo internamente por conta dos hormônios, agregados aos gritos próprios de uma galera naturalmente barulhenta.
Terminado o expediente, apesar e além da reunião, cheguei à minha casa extremamente cansado. No momento em que fazíamos a reunião (e discutindo sobre o cotidiano da escola em suas diversas facetas), atendemos dois alunos, que se mostram difíceis no trato das relações escolares e a mãe de um deles que, com o seu nervosismo, nos deixou mais agitado ainda.
Em vista desses argumentos apresentados, qualquer maledicência que seja implementada por esses profissionais, como, por exemplo, reivindicações por melhores salários, paralisações, colocar a boca no trombone contra os prefeitos, os governadores, a Presidente da República ou, mais especificamente, aos nossos secretários ou ministro da educação, será contra-atacado com esse discurso bonito, que o professor tem tudo na escola para dar uma boa aula (sic!) e que ele faz esse tipo de coisa para desestabilizar o governo, que é muito bonzinho...e aí a população acredita nesses discursos políticos e vai contra a classe dos professores.
Nos resta, enquanto homenagem, aproveitando o contexto, resgatar um dos famosos personagens criados pelo espetacular e já saudoso Chico Anysio:
"...E o salário, Ó ! ! !"
¹. PESSANHA, Rosimar de Freitas. Recursos Tecnológicos e Educação: Amplitude de Possibilidades. Disponível em http://www.pedagogia.com.br/artigos/tecnologia/. (12/05/2009). Acesso e captura em 23/03/2012.
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sábado, 24 de março de 2012
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