quinta-feira, 14 de março de 2013
Sobre o caráter pedagógico da jornada da lei do piso
28/01/2012
O trabalho do professor vai muito além de ministrar aulas. Para que sua atuação tenha mais qualidade, o professor precisa, além de uma ótima formação inicial, qualificar-se permanentemente e cumprir tarefas que envolvem a melhor preparação de suas atividades em sala de aula, bem como tempo e tranquilidade para avaliar corretamente a aprendizagem e desenvolvimento de seus alunos.
Por isto a lei 11.738/08 (lei do Piso Salarial Profissional Nacional) estipulou em seu artigo 2º que “na composição da jornada de trabalho, observar-se-á o limite máximo de 2/3 (dois terços) da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos.” Desta forma, no mínimo 1/3 do tempo do professor deve ser dedicado a atividades extraclasses. A lei reconhece e regulamenta o trabalho do professor fora da sala de aula, mas deixa aos sistemas de ensino a regulamentação da composição da jornada.
(...)
O artigo 10 da lei 836/97 estabelece que a jornada de trabalho semanal do professor é constituída de horas em atividades com alunos, de horas de trabalho pedagógico na escola (HTPC) e de horas de trabalho pedagógico em local de livre escolha pelo docente (HTPLE). Vejamos qual é natureza e as finalidades de cada uma dessas partes da jornada.
Pela lei do piso, e de acordo com a lei 836/97, o trabalho de interação com alunos, em uma jornada de 40 horas semanais, deve compreender um total de 26 horas, ou seja, 26 aulas de uma hora, com cinquenta minutos desta hora destinados exclusivamente à tarefa de lecionar.
Contempla-se, desta forma, a aula propriamente dita, mas também o tempo que o professor dedica a conversar com um aluno, pai de aluno, interferir num desentendimento entre alunos (cumprindo a função de educá-los, num sentido mais amplo), tomar uma água, usar o banheiro e outras atividades que não se realizam no momento em que está lecionando ou nos tempos dedicados a HTPC e HTPLE.
Evidentemente, não basta que a lei assim determine a jornada do professor. Para que essa mudança cumpra plenamente o papel pedagógico que dela se espera, deverá vir acompanhada de mudanças na escola, começando pela reorganização dos tempos e espaços escolares, interação entre disciplinas e outras.
O Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) se constitui em um espaço no qual toda a equipe de professores pode debater e organizar o processo educativo naquela unidade escolar, discutir e estudar temas relevantes para o seu trabalho e, muito importante, deve ser dedicado à formação continuada dos professores no próprio local de trabalho.
Tal formação deve ser efetivada por meio de parcerias e convênios entre a rede (...) de ensino e as universidades públicas e agências públicas de formação de professores. Estas parcerias e convênios são importantes não apenas porque trazem para dentro das escolas as teorias educacionais e as propostas didáticas elaboradas e trabalhadas no interior das universidades, mas, também, porque permitem aos professores das escolas públicas interferir para alterar a própria informação inicial dos docentes nas universidades, expondo e discutindo sua prática cotidiana. Desta forma, aproximamos a ideia de uma escola ideal, pela qual lutamos, da escola real, que precisa ser transformada e melhorada.
Finalmente, o Horário de Trabalho Pedagógico em Local de Livre Escolha pelo docente (HTPLE) é essencial para que o trabalho do professor tenha a qualidade necessária e produza resultados benéficos para a aprendizagem dos alunos. Trata-se daquele trabalho que o professor realiza fora da escola, via de regra em sua própria residência, incluindo leituras e atualização; pesquisas sobre temas de sua disciplina e temas transversais; elaboração e correção de provas e trabalhos e outras tarefas pedagógicas.
O professor sempre trabalhou, e muito, em sua própria residência. A composição da jornada de trabalho que considera e remunera este trabalho, reconhece um fato concreto e, com a lei 11.738/08, melhora o tempo e as condições para que este trabalho seja feito. Registre-se que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi alterada pela lei 12.551/11, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em 15 de dezembro de 2011, que equipara o trabalho realizado no local de trabalho e o realizado na residência do trabalhador, desde que comprovável, inclusive por meios eletrônicos. E o trabalho que o professor realiza em sua casa é facilmente comprovável.
Todos os professores que estão na sala de aula e no cotidiano da rede (...)de ensino, e não nos gabinetes da Secretaria da Educação, vivenciam as dificuldades e as possibilidades de seu trabalho e sabem perfeitamente a importância de cada um desses espaços para a qualidade do ensino. Por esta razão, não abrimos mão da implementação da composição da jornada de trabalho docente prevista na lei do piso, de acordo com a sua verdadeira concepção e não com base em manobras aritméticas que pretendem justificar que nada mude.
Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
Disponível em http://apeoesp.wordpress.com/2012/01/28/sobre-o-carater-pedagogico-da-jornada-da-lei-do-piso/
sábado, 2 de março de 2013
A DIFICULDADE DE SE EFETIVAR UMA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL PREVENTIVA
Francisco Carlos de Mattos*
RESUMO
Pensamentos, falas e achismos sobre o papel do Orientador Educacional na escola pública por parte dos que não têm a formação acadêmica necessária para tais análises e as inúmeras tentativas desse profissional da educação em desenvolver uma prática pedagógica preventiva no intuito de contribuir com a comunidade escolar na busca de uma educação de qualidade.
Palavras-chave:
Prática pedagógica; ensino-aprendizagem; orientação educacional preventiva; professor e aluno.
Abrindo a porta da Orientação Educacional
Afirmar que existe equívoco de outros técnicos pedagógicos no que tange à compreensão das funções de orientação educacional, não significa dizer que este profissional sempre acerta em suas ações dentro das UEs.
Sabe-se que em todos os campos da atividade humana não há um só em que se possa afirmar que todos os seus profissionais sejam eficientes em seus afazeres, até porque para que tal aconteça, é necessário a perfeita união entre teoria e prática e, nesse caso, naturalmente, onde acontece o excesso de um, há carência do outro; portanto, há orientadores mais teóricos que práticos, assim como o inverso também existe em profusão. Os primeiros precisam, em um trabalho de parcerias, de companheiros de outras áreas que, de alguma maneira, sejam mais pragmáticos. Segundo Demo (2004: 14-5)
O ser humano é claramente dependente biológica e socialmente. É dependente biologicamente, porque somos parte do processo evolutivo de vários bilhões de anos, nascemos de outras pessoas e delas dependemos para tudo, até mesmo para nos alimentar no início da vida. E dependente socialmente, porque somos seres conviventes: o outro não é eventual, mas constitutivo de nossa vida, personalidade, destino. Não fazemos a história que bem queremos, mas aquela possível biológica e socialmente.Assim entende-se a necessidade do homem em conquistar a sua autonomia, em querer caminhar com as próprias pernas e de, apesar e além disso, precisar do outro para acompanhá-lo nessa caminhada. O Orientador Educacional também tem o seu período de planejamento que, evidentemente, deve refletir o projeto político pedagógico da U.E. . Aspirando uma ação preventiva, sabe-se das dificuldades em engendrar tal intento em função do cotidiano da escola. Fala-se muito em trabalho coletivo, interdisciplinar e tantas outras expressões para que a escola funcione a contento; mas, o funcionamento da escola revela uma realidade muitas vezes não planejada, prevista e, determinantemente, querida. Conflitos acontecem a cada instante, envolvendo todos os segmentos da comunidade escolar e dentre eles, principalmente,os corpos docente e discente. Aquele, com um hiato em sua formação acadêmica, desconhecendo (ou não querendo tomar conhecimento, o que é pior!) alguns fundamentos da educação, que minimizariam certas confusões no dia-a-dia da escola e esse, com as birras características da faixa etária concernente à adolescência, contribui sobremaneira para que a Orientação Educacional preventiva não aconteça. Esta é a ponta do novelo para que acreditemos que, como dito em outra oportunidade e outro contexto (Mattos, 2003: 39),
Uma das poucas áreas que ainda conseguimos ver na sua “plenitude de sua especificidade”, onde o todo é a soma (matematicamente mal feita) das partes e cujo resultado, extremamente errado, só beneficia, parafraseando Caetano Veloso, os “podres poderes”, é a educação. Quanto mais fragmentado-e-fraco-e-cego-e..., melhor.O APAGADOR DE INCÊNCIO DO FOGO QUE NÃO SE EXTINGÜE Sob a influência de novas abordagens educacionais podemos traçar um novo paradigma para Orientação Educacional, não mais alicerçada no perfil da ajuda do aluno em uma dimensão psicológica, mas sim no perfil de colaborar com esse mesmo aluno na sua formação de cidadania (GRINSPUN, 1994: 14) O professor, não conseguindo fazer com que o aluno aprenda, angustia-se de tal modo, que começa a imputar ao outro (seja ele quem for na esfera escolar) uma série de deficiências, redimindo-se de quaisquer problemas. Nesse ângulo de raciocínio, ele começa a refletir sobre a família que em sua opinião já não é mais a mesma de 20, 30 anos no que se refere à preocupação com os filhos, esquecendo-se de emprestar a esse ato a leitura do contexto político-sócio-econômico e cultural com sua imprescindível e inequívoca contextualização histórica. A sua segunda “vítima” nessa linha de reflexão, é o próprio aluno que, também, não é o mesmo, em termos de atitudes e comprometimento com os estudos. O terceiro nessa linha de sucessão, é o profissional da área técnica, mais especificamente o Supervisor e o Orientador Educacional. Aquele por não orientá-lo como deveria (o que seria ótimo se as reclamações fossem essas!) ou por ser muito utópico, muito sonhador em suas concepções sobre educação e profundamente teórico. Este se mostra o profissional que a tudo contemporiza, passando, sempre em suas ações, a mão na cabeça do aluno e por ter as mesmas características do Supervisor no que se refere à sua relação com a teoria, fica como o outro circulando pela escola, demonstrando não ter o que fazer. Os outros técnicos e, principalmente o diretor, para não fugir ao esquema de análise e macular o bom nome do grupo funcional, aproveita para dar a sua marretada no cravo, caracterizando o Orientador Educacional de “apagador de incêndio”, como se isso fosse praxe na ação de todos os profissionais dessa área na face da terra. De certo modo, esta alcunha é desprovida de reflexão mais apurada. Se a proposta é imputar ao O.E. todas as mazelas da educação e todos os entraves que emperram a escola de alcançar o tão sonhado sucesso, esquecem-se de que ele não é o único profissional da área técnica na escola, assim como também não é nem pode ser visto e entendido como o principal estorvo da improdutividade da mesma ou do próprio sistema educacional brasileiro. O planejamento do O.E., assim como a sua aspiração, é por uma orientação educacional preventiva. Se a prática dele não se efetiva dessa maneira, acredita-se que não seja por sua vontade, mas porque o cotidiano da escola, com todos os seus problemas nos diversos segmentos, não permite tal efetivação. É o professor que, acometido da síndrome de Burnout, que, sem paciência, por que um aluno lhe sorriu, pensando que este estivesse rindo dele, o expulsa de sua aula ou, muitas vezes isso é real, quando o pobre coitado não consegue pensar como ele, o encaminha ao OE com o indicativo de que deve estar com problemas neurológicos, pois não aprende. Num outro prisma, quando o OE tenta encontrar uma oportunidade na organização curricular para o desenvolvimento de projetos norteadores de ações preventivas de temas da atualidade, que muito interessam aos jovens estudantes, é logo tolhido com a alegação de que a carga horária das disciplinas que compõem a matriz curricular ficará defasada, não se conseguindo fechá-la ao final do ano letivo. O O.E. não pode nem deve se transformar ou continuar a ser o bode expiatório do/no sistema educacional. Para tanto, mister se faz que a sua práxis, efetivamente, da concepção à ação, seja preventiva no que se refere aos temas mais prementes da atualidade, que tanto angustiam a população, tais como o conflito de gerações que suscita a crise familiar, passando pela necessária educação de base, que impossibilita a falta de limites que acomete os nossos jovens, assim como a ausência de perspectivas profissionais, de inserção no mercado de trabalho e a nulidade no trato das questões relativas à educação sexual, entre tantos outros temas preocupantes e necessários para uma vida saudável. DA LIBERDADE PEDAGÓGICA À PEDAGOGIA DA LIBERDADE "Não mais "orientador-bombeiro", "orientador-dirigente de turno", orientador-supervisor-inspetor escolar". Jamais “orientador-quebrador-de-galhos” de todos os setores da escola, para o resgate do profissional integrado ao coletivo. Com, mais ou menos, vinte e nove anos de magistério ( do 2º segmento do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, incluindo nesse tempo onze anos de docência no Magistério Superior), entre os erros e acertos de quem quer e busca crescer profissionalmente, constatou-se mais os primeiros na prática político-pedagógica de número significativo de companheiros e companheiras com quem se partilhou o espaço das dezenas de instituições por onde se trabalhou. Sabe-se que o que é bom e certo para um, necessariamente não tem que ser da mesma forma para os outros. Não se deseja nem se pretende afirmar que a homogeneização das práticas pedagógicas em toda a sua complexidade seria a solução para os problemas da educação, até porque, desrespeitar-se-ia a autonomia do sujeito em optar, entre tantas alternativas, por uma que mais se adequasse às suas perspectivas e às suas formações humana e acadêmica. Acredita-se, alicerçando-se nessas duas formações, que, quanto mais o homem se aprofunda em pesquisas sobre a biotecnologia, genética, robótica etc., mais vai precisar do próprio homem e, mais especificamente, do seu lado humano. Destarte, por trás de uma “grande” máquina (ou à sua frente), sempre houve, há ou haverá um grande homem. Se a máquina precisa do homem para ser construída, o homem precisa do seu semelhante para sobreviver, construindo-se a cada pensamento, a cada fala, a cada abraço, sorriso, lágrima. O homem educa-se, educando-se no outro. Tudo o que faz, sempre tem referência humana. Sempre foi assim na história da humanidade. 500 anos a.C., Sócrates desenvolvia a MAIÊUTICA (parto das idéias), método filosófico em que os seus discípulos “davam luz” aos seus pensamentos, às suas reflexões, ao esforço pessoal, à busca da sabedoria, fazendo-se filósofos no sentido etimologicamente mais simples do termo, que é “amigo da sabedoria”, numa reflexão pós-partos feitos pela sua mãe. Nesse método, a tônica do seu fundamento era não “matar” a curiosidade dos discípulos e sempre responder às questões dos mesmos com outras questões, até que eles próprios encontrassem as respostas. Neste caso, o discípulo era sujeito da própria aprendizagem, construtor do próprio conhecimento. É fato comprovado que se alguém fica alguns minutos olhando fixamente para certo ponto à sua frente, a tendência é sentir as pálpebras pesadas e, dificilmente, consegue controlar o bocejo e... o cochilo é inevitável! Este é o retrato de muitos alunos em aulas em que não se fazem sujeitos. Da liberdade pedagógica, no sentido de autonomia, à prática pedagógica dos professores, busca-se a diversidade de ações didáticas e não a sua homogeneização. Cria-se o ambiente de liberdade e, para conquistá-la, é necessário que o indivíduo se tenha educado para isso. Borghi (1990: 39) em muito contribui com essa linha de raciocínio, quando afirma que
“não pode haver formação que não seja autoformação(...). Educar significa essencialmente educar-se. Pode-se ter também uma ajuda, uma sugestão, porém, esta sugestão torna-se educativa, na medida em que ativa forças latentes ou já em ação no indivíduo”.Reitera-se, que liberdade pedagógica é necessária; entretanto, não pode ser qualquer liberdade nem qualquer pedagogia. Antes de qualquer coisa, é mister realçar que a prática do bom senso é uma das mais brilhantes pedagogias que pode existir. É, realmente, preciso muito cuidado para que não se adote qualquer porcaria em nome da democracia pedagógica e, violentamente, empurrar goela abaixo dos nossos alunos. Somos libertários ou simpatizantes do movimento, e não podemos ser confundidos como bobos, ingênuos, no sentido de mantermos uma relação paternalista, afagando a cabeça de quem insiste no erro. Se existe a pretensão de se construir a Pedagogia da Liberdade, há que se respeitar, e não se faz diferente nessas poucas linhas, a liberdade pedagógica dos professores, desde que ela esteja respaldada no bom senso. DEIXANDO A PORTA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL ENTREABERTA Se a nossa prática pedagógica ainda é reflexo, ou cópia fiel e perfeita, das dos professores que nos deram aulas na longínqua época em que terminamos a faculdade; se, como eles, acreditamos que o indivíduo aprende sendo só ouvidos, passivamente, numa relação extremamente unidirecional, muito temos a aprender com Sócrates. E olha, que, aproximadamente, 2500 anos após uma mortífera dose de cicuta, ainda se nega o diálogo, o questionamento, a dúvida enquanto métodos de aprendizagem, de reconstrução de conhecimentos. Apesar e além de algumas colocações ao longo dessas reflexões darem uma conotação de denúncia do que se entende como prática pedagógica ruim, inválida, inoperante, incompetente e outras nortearem a segunda face da moeda do tipo da pedagogia salvadora da educação no mundo, é relevante que se coloque e clarifique que, mesmo acreditando-se e adotando-se a pesquisa enquanto linha metodológica para o nosso que-fazer educativo, ela nos norteia em busca de uma prática de Orientação Educacional preventiva não somente em nossas ações, mas, principalmente, nas ações coletivas, no trabalho imprescindível com os outros que nos ajudam a compor a comunidade escolar. _____________________ * Mestre em Educação pela UERJ, Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, por dezenove anos, em dois vínculos . E-mail: okkyxmattos@gmail.com Blog: www.pedagogiadosprojetos.blogspot.com Nota: 1. O texto “DA LIBERDADE PEDAGÓGICA À PEDAGOGIA DA LIBERDADE” até o final foi copiado, na íntegra, do produzido pelo autor para as Revistas SINGULARIDADES... modos de ser inconformista, citadas abaixo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORGHI, Lamberto. A educação permanente. In: ILLICH, Ivan (et. Al.). Educação e liberdade.- Tradução Nelson Canabarro.- São Paulo: Editora Imaginário, 1990. DEMO, Pedro. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. – Porto Alegre: Mediação, 2004. GRINSPUN, Mirian P. S. Zippin (Org.). A prática dos orientadores educacionais. São Paulo: Cortez, 1994. MATTOS, Francisco Carlos de. Educação superior: 500 anos a.C. Sócrates fazia melhor que nós! Portugal, Lisboa, Singularidades... modos de ser inconformista (Revista semestral). Ano X. Junho – 2003. 4ª Série, p.p.: 39-41. ______________________. Do fazer saber ao saber fazer: por uma liberdade que nos eduque em busca de uma educação que nos liberte. Portugal, Lisboa, Singularidades... modos de ser inconformista (Revista semestral). Ano XI. Maio – 2004. 5ª Série, p.p.: 48-66.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Da massa do pão ao pão da massa
Da massa do pão ao pão da massa
Francisco Carlos de Mattos*
O que faz a massa do pão crescer, na verdade, não é o “amasso” que ela recebe, nem as porradas como muita gente, equivocadamente, pensa que seja. O responsável pelo crescimento dela é um fungo, ser microscópio batizado de levedura.
O pão da massa, ao contrário da massa do pão, não cresce. Diminui espaços de autonomia, de conquistas, de cidadania e o que o faz escassear-se, apenas de não ser tão menos intenso como o fungo da massa do pão, torna-se pelas conveniências da fome, da necessidade variada, não vistas por um número bem significativo da população brasileira. Vide o percentual de analfabetos totais e, o que é pior, e segundo Brecht, analfabetos políticos. Muitos daqueles, fora das escolas e das academias, astutamente, não assumem a postura desses, levando-nos à suposição de que essas instituições, em muitos casos, transitam às raias da imbecilidade e continuam apensas à concepção althusseriana da escola enquanto Aparelho Ideológico do Estado. O advento da globalização da economia trouxe, a reboque, uma série de dificuldades que contribuíram para a ressignificação das relações entre os homens e destes com o mundo que os cerca.
Globalização pode, a princípio, remeter-nos à idéia de progresso nos vários campos da atividade humana. Os avanços científicos e tecnológicos, por exemplo, ocuparam status de fiéis da balança, elementos representativos do desenvolvimento econômico e financeiro. A propensão do mundo do capital em transformar incessantemente as circunstâncias do modo de produção, aumentando o número de matéria prima e da demanda com o menor contingente de trabalhadores, fazendo crescer o lucro do investidor, através da exploração dos poucos trabalhadores. As idéias de Marx e Engels, lançadas em 1848, continuam, aos 164 anos, mais rejuvenescidas do que nunca.
A globalização pode ser descrita como um processo de difusão de idéias e valores, de formas de produção e de trocas comerciais que atravessam e rompem as fronteiras nacionais, internacionalizando também misérias, que chegam como a face mais perversa da exclusão social, com desigualdades em todos os níveis a começar pela injusta distribuição de rendas. Por esse caminho podemos deduzir onde vamos chegar: pobreza, miséria, tráfico de drogas, prostituição, exploração de menores, banditismo...banditismo...banditismo...do asfalto ao morro(ao morro sem asfalto!), do jovem pobre do morro ao pobre jovem de família abastada, do surrealista ladrão de galinhas ou, hoje, de tênis ou de macarrão instantâneo em supermercados ao do colarinho branco em todos os pontos do território nacional, principalmente no Planalto Central. Povo sem educação, povo doente em todos os âmbitos em que couber enfermidade no ser humano. Da cabeça (problemas neurológicos) aos pés (bicho de pé), esses doentes são produzidos nos gabinetes refrigerados dos poderes político e econômico do país. Quanto mais moléstias, mais fácil e propício de se implantar a política otaviana (Otávio, primeiro imperador romano que governou de 27 a .C. a 14 d.C.) do “Pão e Circo"¹.
Quando Otávio tornou-se o primeiro Imperador, governando de 27 a .C. a 14 d.C, Suas primeiras medidas tinham por finalidade reestruturar a administração do novo Estado Imperial: restringiu as funções do Senado; criou uma nova ordem administrativa (as prefeituras); melhorou as formas de cobranças de impostos; instituiu a guarda pretoriana com a função de garantir a proteção do imperador. Na economia, Otávio incentivou a produção e protegeu as rotas comerciais. Empreendeu a construção de várias obras públicas, o que gerou muitos empregos aos plebeus.Para ganhar popularidade, Otávio adotou a política do “pão e circo”.Tal política consistia numa estratégia do Imperador para submeter o povo (plebe) através da promoção de eventos. O desenvolvimento dos jogos foi crucial para que o império obtivesse o apoio popular. Podemos destacar como um dos principais jogos da época os grandes duelos de gladiadores que concentrando milhares de pessoas nas grandes arenas exerciam um forte poder de entretenimento. Durante cerca de sete séculos, as lutas dos gladiadores, entre si ou contra animais ferozes, foram o espetáculo preferido dos romanos, que ao final de cada combate pediam com um gesto do polegar o perdão ou a morte do lutador ferido. Gladiador era o lutador profissional que se apresentava em espetáculos públicos no Coliseu e em outros anfiteatros do Império Romano.
* Mestre em Educação pela UERJ, Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio . E-mail: okkyxmattos@gmail.com / blogs: WWW.franciscomattos.blogspot.com e WWW.pedagogiadosprojetos.blogspot.com / Facebook: WWW.facebook.com/okkyxmattos
¹. A Política do Pão e Circo - "Muitos anfiteatros foram construídos ou adaptados para a luta de gladiadores, parte da política do "pão e circo". Texto sobre A política do pão e circo (último parágrafo) disponível em: http://www.nea.fe.usp.br/site/Fichas/HISM2S14U2A1.pdf. Acesso e captura em 16/03/08.
EFICIENTE E EFICAZ
O conhecimento e a sua capacidade de aquisição
domingo, 25 de novembro de 2012
'Pretobranquismo' das nossas salas de aula
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Alguém tem um dramin aí?
Amigos eu vi...não, na verdade senti na pele como que se monta um mundo de faz de conta, como se processa o espaço das conveniências e como aqueles que elegemos, já com o seu assento numa Casa Legislativa, revestidos de uma suposta ou falsa sensação de poder, acham que aqueles que lhes garantiram o voto são - e vejo que tem um pouco de razão no que pensam - ingênuos, bobinhos, crianças fáceis de serem enganadas com uma bala, um doce; enfim, verdadeiros B-A-B-A-C-A-S. Em alguns momentos, confesso-lhes, meus queridos amigos, que senti vontade de vomitar, de rasgar o meu título de eleitor. Quero deixar claro, que sendo essa, ao longo dos meus cinquenta e poucos anos, minha primeira experiência como um dos articuladores sindicais à frente de uma categoria, que, infelizmente, muito cobra e pouco participa dos movimentos, que demonstra com tais ações uma ausência de formação política, nunca ficou tão claro para mim a importância e o valor da expressão que aprendi nos áureos momentos do sindicalismo no Brasil: "o sindicato somos nós, a nossa força, a nossa voz"! Precisamos de vocês, para garantir que JUNTOS SOMOS MAIS FORTES! \
domingo, 11 de novembro de 2012
Vida escolar
terça-feira, 3 de abril de 2012
CONVITE IMPERDÍVEL
UM MARCO PORTUGUÊS, NA ATUALIDADE, NO CAMPO DA PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO.
MARCAREI PRESENÇA, COM CERTEZA!
sábado, 31 de março de 2012
COMO LIDAR COM ALUNOS QUE NÃO TEM O MENOR RESPEITO EM SALA DE AULA?
Francisco Carlos de Mattos,
23/7/2009¹
O equívoco começa com o vocábulo "impor".
A imposição nos remete a uma relação autoritária de A sobre B e isso é um fator profundamente complicante, que dificulta a construção de uma convivência pacífica.
A relação entre professor e alunos tem que ser construída num clima de camaradagem e confiança, até porque os discentes passam por uma fase da vida extremamente complicada (acredito que a colega tenha tido como referência alunos do 6º ao 9º anos e/ou do ensino médio), que é a pré-adolescência e a adolescência propriamente dita.
Mudanças radicais, transformações biopsicossociais mexem com humores, percepções, atitudes, energias, olhares, volições. O mundo é deles, o espaço é deles, são naturalmente anárquicos e demonstram uma inquietude descomunal e uma atração sem limites pela liberdade total. Todo aquele que se interponha no caminho para a conquista desses valores, são vistos como "inimigos". Qualquer adulto que venha estigmatizar, negativar, negar esses valores, são desafiados por eles. Os pais são dois "bichos" extremamente chatos (com as raríssimas exceções) e o professor passa a ser a representação do impedimento, da negação, da pura ´caretice`.
Aquele que não se faz amigo, inimigo é! Uma relação sócio-afetiva estável, desinteressada, não impeditiva, pautada, sempre, no diálogo franco e aberto, é a chave-mestra para abrir janelas e portas para um ambiente alicerçado no respeito, no carinho e na vontade de aprender coisas novas. No processo ensino-aprendizagem uma das poucas ações que não se pode prescindir, é ensinar o aluno a querer aprender a aprender. E isto, na minha singela opinião, só se consegue entre amigos. O professor antes de tudo deveria pensar não como profissional, mas como ser humano. Não é o profissional que se forma no ser humano, mas o contrário! Há que se construir um ambiente de conquistas... sempre... Onde se é bem recebido e se recebe bem, há a vontade de voltar sempre ou de que o tempo nunca passe ou quando passa, não se percebe!
Disponível em http://www.educacaopublica.rj.gov.br/ (clicar no lionk DISCUTINDO. Tema "provocador" do texto "como se impor diante de alunos que não tem o menor respeito em sala de aula?). Acesso e captura em 24/07/2009.
¹. Resgatando algumas postagens feitas há 2, 3 anos, que, infelizmente, estão cada vez mais presentes!
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